Como eu consegui o mestrado?

Aplicar para mestrados em universidades estrangeiras é sempre parecido, mas cada universidade tem seu processo e exige uns documentos a mais ou a menos. Então o primeiro passo é escolher um país e uma universidade, ser formado e ter um bom inglês (ou a língua do curso). Existem bolsas pelos Ciências sem Fronteiras, Erasmus Mundus e bolsas oferecidas pelas universidades. Mas vou falar especificamente da Suécia.

Antes mesmo de eu saber da existência da bolsa oferecida pelo concurso Sweden-Brazil Scholarship Challenge, eu já havia pesquisado sobre mestrados na Suécia. Mas me deparei com o alto custo, tanto dos mestrados, quanto do custo de vida. Um mestrado de 2 anos chega a custar R$120.000,00, fora o curso de vida, que varia de uma pessoa para outra, mas não é baixo. Então eu comecei a procurar bolsas. As universidades oferecem algumas bolsas para cidadãos que não são da União Europeia (75% ou 100% de isenção das taxas do curso), e o Swedish Institute também oferece bolsas de 100% + ajuda mensal para o custo de vida. Mas para tentar as bolsas, você tem que se inscrever primeiro nas universidades, ser aceito em alguma e, então, aplicar para uma bolsa. Ou seja, tem que providenciar todos os documentos necessários, mesmo sem saber se vai dar certo. Se você tem uma cidadania europeia, os mestrados são de graça. Aqui em Santa Catarina é um pouco comum, tenho muitos amigos que têm passaporte italiano, por conta dos seus descendentes.

Mas, diferente do normal, eu ganhei a bolsa antes de aplicar pra universidade, porque o concurso foi antes do período de inscrições. Foi um caso à parte. Como escrevi no primeiro post, eu ganhei em primeiro lugar do concurso, ou seja, uma bolsa para o mestrado e um estágio remunerado. A minha bolsa foi dada pela própria universidade por intermédio do Student Competitions e o CISB (Centro de Integração Suécia Brasil, no qual participam empresas, universidades e governos da Suécia e Brasil).

Passado isso, tive que aplicar para a universidade como qualquer cidadão sueco ou internacional, numa plataforma unificada, o UniversityAdmissions.se para garantir minha vaga na universidade. O site Study in Sweden me ajudou muito a encontrar todos os caminhos.  A inscrição é online e logo em seguida tive que enviar cópias autenticadas de todos os documentos para eles por correspondência.

Os documentos necessários foram:

  1. histórico da graduação (com tradução juramentada para o inglês)
  2. diploma (com tradução juramentada para o inglês)
  3. certificado do teste de inglês IELTS com nota mínima 6.5 (podia ser TOEFL também)
  4. uma carta de motivação
  5. curriculum vitae
  6. carta de recomendação de algum professor ou empregador
  7. portifólio

Meses depois, recebi a resposta que fui admitida e me enviaram, por e-mail e por correspondência, os papéis provando que eu tinha sido aceita e que tinha uma bolsa de estudos, para então dar entrada no processo de Resident Permit (algo como um visto) no Swedisn Migration Board. O documento ficou pronto em 3 semanas e pude buscá-lo no Consulado da Suécia no Rio de Janeiro.

Não tive problemas com todo esse processo, mas é trabalhoso, demorado e oneroso.

O IELTS eu fiz em Florianópolis. É uma prova cansativa, durou cerca de 4 horas. Eu não tive tempo de estudar, pois quando decidi fazer a prova, ela já aconteceria em duas semanas, mas assim que paguei a inscrição, recebi um acesso aos simulados e isso foi muito importante, pois pude treinar e pegar o jeito da prova. O importante é gerir bem o tempo na hora da prova, pois é muito apertado. E é importante já ter um inglês razoável, caso contrário, tem que se preparar em mais tempo, eu acredito. No fim, tirei 7.0 (de 9.0) e essa nota já é suficiente para os mestrados na Suécia (e na Europa em geral).

A tradução eu também fiz em Florianópolis e é bem simples, enviei os documentos pro tradutor por e-mail e, ao buscar, que mostrei à ele os documentos originais.

Com tudo na mão, aceitei um contrato de aluguel oferecido pela universidade, vi fotos e a localização do apartamento e não hesitei em aceitar. Por fim comprei a passagem. Todo esse processo durou quase um ano.

Se alguém estiver interessado em estudar na Suécia e tiver alguma dúvida, sinta-se a vontade para me perguntar nos comentários. Cada etapa do processo tem suas particularidades. Eu sei que abriram agora muitas bolsas em 2013 e 2014 para a graduação pelo Ciências Sem Fronteiras e até para mestrado, mas não pesquisei, porque não era o meu caso, mas tenho uma amiga que se formou comigo que está indo para os Estados Unidos fazer mestrado pelo Ciências Sem Fronteiras, e ela também tem um blog e lá tem muitas informações legais e úteis.

Anúncios

Mestrado na Suécia

Uma das viagens que fiz durante o meu intercâmbio da graduação na Itália, em 2010, foi Estocolmo, na Suécia, e desde então coloquei na cabeça que um dia eu moraria lá.

Em 2013, recém-formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC e me aventurando no primeiro emprego no Rio de Janeiro, me inscrevi em um concurso para ganhar uma bolsa de estudos na Suécia, o Sweden Brazil Scholarship Challenge e, pasmem, tirei em primeiro lugar! Eu, que nunca ganhei nada em sorteio, rifa, concurso, ganhei um mestrado na Chalmers University of Technology, com tudo pago, que inicia em setembro de 2014 e um estágio remunerado na SAAB ou StoraEnso, duas empresas suecas, que inicia em julho de 2015. Sim, foi meu dia de sorte. E na premiação, em São Paulo, eu conheci o Rei da Suécia (!!!!) Your Magesty The King Carl Gustav XVI!

Agora estou me preparando para mudar para a Suécia em agosto. Passagem, visto, contrato de aluguel e carta de admissão na universidade na mão. O mestrado será em Design and Construction Project Management e futuramente escreverei sobre isso a vida em Gotemburgo por aqui, assim como sobre o processo de admissão para as universidades europeias.

Link para a reportagem da premiação do concurso: http://studentcompetitions.com/posts/6-winners-awarded-in-the-sweden-brazil-scholarship-challenge-2014-prize-ceremony–2

Eu, os outros finalistas e o Embaixador da Suécia no Brasil

Eu, os outros finalistas e o Embaixador da Suécia no Brasil